Pilates no reformer: o que é o aparelho e quais os benefícios segundo a ciência
Conheça o reformer, o aparelho mais usado do pilates: como funciona, para quem é indicado e o que os estudos científicos mostram sobre dor lombar, equilíbrio e força.
Geovana Kohut · CREFITO 375039-F
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Quem entra num estúdio de pilates pela primeira vez quase sempre repara nele: uma cama de madeira com um carrinho que desliza sobre trilhos, molas coloridas, uma barra na ponta e alças presas por cordas. É o reformer, o aparelho mais conhecido do método e um dos mais estudados pela ciência.
Neste artigo você vai entender como o reformer funciona, por que ele é tão usado na fisioterapia e o que os ensaios clínicos mostram sobre os seus benefícios, com as referências no final.
O que é o reformer?
O reformer foi criado por Joseph Pilates, o alemão que desenvolveu o método no início do século XX. Ele queria um equipamento que permitisse trabalhar o corpo inteiro com controle, usando molas no lugar de pesos. O nome vem da ideia de "reformar" o corpo: reeducar a postura e o movimento.
As partes principais do aparelho são:
- Carrinho (carriage) — a plataforma estofada onde a pessoa deita, senta, ajoelha ou fica em pé. Ele desliza sobre trilhos.
- Molas — ligam o carrinho à estrutura e definem a carga. Cada mola tem uma tensão, e a combinação delas ajusta o exercício do muito leve ao bem desafiador.
- Barra de pés (footbar) — apoio para empurrar o carrinho com os pés ou com as mãos.
- Alças e cordas — permitem puxar o carrinho com braços ou pernas.
- Ombreiras e apoio de cabeça — dão estabilidade e alinhamento nos exercícios deitados.

Por que as molas fazem tanta diferença?
Num aparelho de musculação, o peso só resiste ao movimento. No reformer, a mola pode resistir ou ajudar, conforme o exercício. Isso permite duas coisas que interessam muito à fisioterapia:
- Começar com pouca carga e progredir aos poucos. Uma pessoa com dor lombar ou recém-saída de uma lesão consegue se movimentar com segurança, deitada e com o corpo apoiado, sem o peso do próprio corpo contra ela.
- Treinar o controle da volta, não só a ida. A mola puxa o carrinho de volta, e o corpo precisa frear esse retorno. É o trabalho excêntrico, essencial para estabilidade articular e prevenção de lesões.
Além disso, o carrinho em movimento é uma superfície instável. Para mantê-lo sob controle, a musculatura profunda do tronco precisa trabalhar o tempo todo, e o sistema nervoso recebe uma informação constante sobre a posição do corpo.
O que a ciência diz sobre os benefícios do reformer
Dor lombar crônica: menos incapacidade e menos medo de se mexer
Este é o tema com mais estudos. Um ensaio clínico brasileiro publicado na Physical Therapy, com 86 pacientes com dor lombar crônica, comparou o pilates no solo (mat) com o pilates em aparelhos. Após seis meses, o grupo dos aparelhos teve menos incapacidade e menos cinesiofobia, o medo de se movimentar, do que o grupo do solo. A intensidade da dor melhorou de forma parecida nos dois.
Um estudo espanhol com 98 pacientes, publicado na Complementary Therapies in Medicine, encontrou melhora na dor, na função e na ativação do transverso do abdômen, o músculo profundo que estabiliza a coluna, nas duas modalidades. A melhora foi mais rápida no grupo dos aparelhos. Os autores atribuem isso ao retorno que o equipamento dá: a mola "avisa" quando o movimento perde o controle.
Em 2025, um ensaio com 54 mulheres com dor lombar ou cervical crônica, publicado na BMC Psychology, mostrou que seis semanas de reformer reduziram a dor, a fadiga e o medo de movimento, e melhoraram a qualidade do sono em comparação com o grupo controle.
Equilíbrio e prevenção de quedas em idosos
Um ensaio clínico randomizado publicado no Journal of Bodywork and Movement Therapies acompanhou 55 idosos de 65 a 95 anos com risco de queda. Quem fez reformer uma vez por semana, por 10 semanas, melhorou no equilíbrio (Escala de Berg), na mobilidade (teste Timed Up and Go), na velocidade da marcha e na amplitude de movimento do quadril e do tornozelo. O grupo controle não melhorou em nenhuma medida.
Um estudo da Universidade Federal do Paraná com 48 idosas comparou pilates no solo e em aparelhos durante oito semanas. Os dois grupos ganharam força, flexibilidade, resistência aeróbica e agilidade, em proporções semelhantes. A conclusão importa: o aparelho não é obrigatório para o idoso melhorar, mas permite começar com mais apoio quando há limitação. Falamos mais disso no artigo sobre pilates para idosos.
Força, composição corporal e condicionamento
Num ensaio publicado na Scientific Reports em 2025, 47 mulheres com sobrepeso ou obesidade fizeram reformer três vezes por semana durante oito semanas. O grupo do reformer melhorou a composição corporal, a força dos braços e a resistência do tronco, e teve redução dos sintomas de ansiedade e depressão.
Outro estudo brasileiro, com mulheres sedentárias, mostrou que oito semanas de pilates em aparelhos aumentaram o VO₂ máximo, a distância percorrida no teste de caminhada e a qualidade de vida em comparação com o grupo controle.
Postura de quem passa o dia sentado
Um estudo de 2025 com 22 trabalhadores de escritório encontrou melhora grande no alinhamento postural após oito semanas de reformer, duas vezes por semana. Por não ter grupo controle, é uma evidência mais fraca que a dos ensaios acima, mas aponta na mesma direção.
Condições crônicas e neurológicas
O reformer também foi estudado em condições específicas, sempre como parte de um acompanhamento profissional:
- Fibromialgia — em 28 mulheres, seis semanas de reformer melhoraram o impacto da doença no dia a dia e a força das pernas. O pilates no solo, feito em casa, também trouxe benefícios.
- Esclerose múltipla — em 38 pacientes, reformer e solo melhoraram equilíbrio, mobilidade, fadiga e qualidade de vida. O reformer deu mais ganho de força nos flexores do tronco.
Cognição
Um ensaio com 44 mulheres sedentárias mostrou melhora no Teste de Stroop, que mede atenção e controle inibitório, depois de seis semanas de reformer. É um achado inicial, mas faz sentido: cada exercício exige coordenação, ritmo respiratório e concentração.
O reformer é seguro?
É, quando bem orientado. As molas e o carrinho em movimento guardam energia, e um exercício mal posicionado pode sobrecarregar uma articulação. Um relato de caso publicado em 2023 descreve uma luxação nos dois ombros durante uma sessão de reformer sem supervisão. Os autores concluem justamente que o método, por mais seguro que pareça, deve ser praticado com acompanhamento profissional.
Por isso, antes de começar, vale passar por uma avaliação que considere:
- histórico de lesões, cirurgias e dores atuais;
- gestação, osteoporose, hipertensão e outras condições que mudam a escolha dos exercícios;
- o objetivo da pessoa: reabilitação, condicionamento, performance esportiva ou qualidade de vida.
Para quem o reformer é indicado?
Pelos estudos e pela prática clínica, o reformer costuma ser uma boa escolha para:
- quem tem dor lombar ou cervical crônica e precisa se exercitar com a coluna apoiada;
- idosos que querem melhorar equilíbrio e força com segurança;
- quem está em reabilitação de lesões ortopédicas;
- atletas que buscam controle motor e prevenção de lesões, como no pilates para beach tennis;
- sedentários que querem começar a se exercitar sem impacto.
Pilates no reformer em Campo Mourão
O estúdio da Dra. Geovana Kohut, fisioterapeuta (CREFITO 375039-F), em Campo Mourão, tem reformer, cadillac, chair e barrel. As aulas são individualizadas e começam por uma avaliação, que define em qual aparelho e com qual carga cada pessoa vai trabalhar. Quando há dor ou lesão, o pilates entra como parte da fisioterapia, com o raciocínio clínico por trás de cada exercício.
Veja também
- Pilates para idosos em Campo Mourão: equilíbrio, força e independência na terceira idade
- Pilates para atletas: como prevenir lesões e evoluir no Beach Tennis
Referências
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